Rafaela Steffen. Poetisa.Leitora ávida




Início: 18.05.2003


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Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.
Cecília Meireles


Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...Ou toca, ou não toca.
Clarice Lispector


Que pode uma criatura senão,entre criaturas, amar? Amar e esquecer,amar e malamar,amar, desamar, amar,sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Carlos Drummond de Andrade


Se procurar bem você acaba encontrando Não a explicação (duvidosa) da vida, mas a poesia (inexplicável) da vida.
Carlos Drummond de Andrade


Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.
Fernando Pessoa


::









Image credits:
Jon Bertelli




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~18.5.08~

[Pierrot]


Eis que surgem
encontros e desencontros. E o acaso.
Pertença do nada, fiel ao meu destino,
corrige os desatinos que eu mesma criei
na vontade de amargar a solidão.



Ele:
encontro.
Eu:
desencontro.



O abismo, porta do meio, decisão do duvidoso,
fez graça quando propôs a saída para os nossos
deslizes.
Eu, aprendiz, convoquei aquele acaso e, sem qualquer prazo,
deixei-lhe à prova a rigidez do tempo, o sopro do vento
- matizes.



Ritmos desatentos curvam-se às batidas compassadas.
Eu sei que é o meu caminho que se encerra nele e a Ele
imprescinde.
A vida nos é tempestiva, o amor, uma companhia...


E o acaso?...







[Poema Expresso] Ano V? Maturidade

[Comentários?]

~20.4.08~

[Excerto (I) de um diário]





(...)

Por que tornas secreto
teu ser e esqueces daquela que,
ao olhar para os teus olhos,
sentiu um misto inconfundível
daquilo que se conhece por amor?


(...)


[Comentários?]

~5.12.07~

[Direções]

Um dia ela sonhou que seria muito mais do que seu corpo lhe permitia ser.Desde então, submersa em seus devaneios, descobriu que na infinitude estavam as forças, que no singelo, o grandioso, e que no subjetivo, a razão maior.
Ao despertar,visualizou uma trajetória tortuosa e árida, que lhe tomaria tempo inestimável.Decidiu seguir em frente, confrontar-se com o material, desconstruir o formal e subestimar os limites.
Hoje, apolítica e incrédula, segue os vários rumos de uma só estrada e procura manter-se instável enquanto é viva.

A desconstrução tornou-se a base da edificação cabal.

___________________________
, obrigada pelo lindo presente, amei! Certamente tu mereces todos os selos e destaques, sinta-se portanto retribuída :)


[Comentários?]

~10.7.07~

[Ventura]



O ar se tornara pesado demais
naquela tarde:
Afobação, respiração curta, olhos prostrados.
Vontade de partir para sempre,
para qualquer lugar inexato.

Eu, anacrônica, pedia à sorte que
me desse uma chance,
mas os dias faziam escárnio de mim
como quando tiravam as cores do céu
e os risos incautos não tinham fim.

Seria tarde o bastante
para se desejar um tempo a mais
sem ludibriações?
Sem falsas promessas,
equívocos, penações?

A verdade, admoestadora,
compartilhava comigo
a dor e a alegria de suas consequências.
Naquele momento,perscrutei a minha finitude
e a sorte,barata,oferecia-me suas condolências.





[Comentários?]

~18.5.07~

[Dia Especial]


Sempre há aquele dia
em que se pensa estar
mais leve:
Rubor de face desvanecido,
imensidão alcançável,
instantes eternos e intactos

O caminho, por mais imperfeito,
parece ser o escudo-maior e a
razão da força inesgotável.
As palavras — profanadoras do
excessivo — são esquecidas
lá longe.

O dia, ah, esse dia!,
há de ser esparso
(conquanto eu o faça conhecido),
há de ser ínfimo
(mero lembrete de minha finitude).
Esse dia há de ser meu tesouro
e minha salvação


Sim, hoje realmente é um dia especial: 4 aninhos de [Poema Expresso], uma longa história.


Image:Steve Lindner


[Comentários?]

~30.1.07~

[Autopsicografia]

Fernando Pessoa





O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.




Image by Romero Britto


[Comentários?]

~28.10.06~




Como uma rara estrela,
faço do momento — puro e único instante —
meu único céu
entre tantas noites.


[Comentários?]

~26.5.06~

[Cônscio]




Constante dúvida do ser
que não é.

Essa vida que
embriaga-me,
que insurge nos momentos mais insanos
e desaparece nos mais improváveis.

Constante sentimento de estar
e não sê-lo plenamente.



[Comentários?]

~28.2.06~

[Suis-je?]





Je suis un peu modèrne,
moyenne seule.

Je suis un peu classique,
um peu rare,um peu musicale.

Romantique, c´est vrai,
mais pas solitère.

Je suis l´opposé:
[La rêveure]


[Comentários?]

~14.12.05~

P.S. : Estou totalmente sem tempo para postar
e tambem para responder aos comments.
Kisses


[Comentários?]

~29.10.05~

[A falta de Érico Veríssimo]

por Carlos Drummond de Andrade




Falta alguma coisa no Brasil
depois da noite de sexta-feira.
Falta aquele homem no escritório
a tirar da máquina elétrica
o destino dos seres,
a explicação antiga da terra.

Falta uma tristeza de menino bom
caminhando entre adultos
na esperança da justiça
que tarda - como tarda!
a clarear o mundo.

Falta um boné, aquele jeito manso,
aquela ternura contida, óleo
a derramar-se lentamente.
Falta o casal passeando no trigal.

Falta um solo de clarineta.


P.S.: Este ano,comemora-se o centenário do nascimento de Érico Veríssimo, meu escritor favorito.

[Comentários?]

~6.9.05~

Olho o belo, o sério, o brio, o eterno
e cego.
Cego pelas dores, pelos rumores,dissabores.

Serei irreal demais se te disser
que meu mundo é incompleto?

[...]




[Comentários?]

~30.8.05~

Muitas vezes o silêncio é necessário:


(...)



É a paz que prevalece
que me conta histórias
e que me faz rir...




Imagem: Ian Massie


[Comentários?]

~26.6.05~



Há algo muito complexo no meu silêncio —
há um vão entre este e o céu.

Ilusão, mais uma vez, tomando conta do meu ser imaturo,
e a vontade de tocar as nuvens
sensibiliza minhas palavras, que por um instante, não existem.

Há um pouco da criança que dorme, dentro de mim,
e o sonho das nuvens surge quando ela acorda.

Neste momento, seu rubro rosto desponta num sorriso
e eu, pequena adulta, dou espaço à maturidade da infante
que apaga da minha memória, brevemente,
os problemas que me atormentam.

O silêncio, em mim,
transparece o sentimento mais resguardado,
um misto de volúpia e exatidão.

O céu não me parece o céu:
É hoje o silêncio quem me toca.

Penso que a efemeridade do tempo não existe
quando o sonho é o âmago de viver.


Imagem: Richard Barrett


[Comentários?]

~2.6.05~


Todos os sentidos
sentidos em
um segundo:
Ardor.

Todas as palavras
sem composição alguma:
Desilusão.

Tudo
num todo:
O que eu quis dizer
no meu último segundo
mas não consegui.


Ilusão, ilusão...


[Comentários?]